Sábado, 21 de Janeiro de 2012

trigemeas

O que eu queria mesmo? Pegar em mim, descer a ladeira, percorrer toda a avenida, entrar a correr na estação, roubar um bilhete e ir no próximo comboio ter convosco. Porque não o faço? Não há comboios a esta hora.
Queria ser de novo uma bola de snooker verde e de aparelho nos dentes, correr atrás de lagartas com álcool a mais no sangue, sentar-me na esplanada do “Bubas” e falar com zebras desconhecidas e, só para terminar, tentar dançar kizomba, mesmo assim, sendo uma bola de snooker.
Mas melhor era se pudéssemos voltar à Nazaré, darmos as mãos, e levar com aquela onda que nos fez ir para casa com o autocarro a fazer de estendal.
E que tal voltar aos tempos de catequese e ter aulas em cima de uma árvore? Sim, aquela árvore que cortaram sem eu querer. Não esquecendo claro das sementes de girassol.
Lembram-se do fim-de-semana em que fomos chamadas de trigémeas? Eu quero sempre sê-lo convosco, não fazia sentido ser com outro alguém.
Tenho imensas saudades vossas, preciso de um abraço vosso.
Sei que me conhecem e que ser criança é algo que nunca quero perder, é a minha essência. Não que seja uma criança, mas quero viver sem nunca perder aquilo que fui no passado. Quero rir no meio da rua, chorar por tudo e por nada, mandar piropos para o ar e fazer parvoíces. Afinal essa não sou eu?
Obrigada por terem sido e continuarem a ser os meus pilares. Porque apesar da distância, o sentimento está cá.

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